Polícia de SP busca três suspeitos por envolvimento na morte de ex-delegado no litoral
18/09/2025
(Foto: Reprodução) Luiz Antonio Rodrigues de Miranda, Felipe Avelino da Silva e Flávio Henrique Ferreira de Souza são procurados. Dahesly Oliveira Pires está presa
Reprodução/Divulgação
A polícia busca três suspeitos de participar da execução do ex-delegado-geral da Polícia Civil de SP Ruy Ferraz Fontes em Praia Grande, no litoral paulista. Uma mulher foi presa nesta madrugada.
Luiz Antonio Rodrigues de Miranda também passou a ser procurado pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo por suspeita de ter ordenado que Dahesly Oliveira Pires fosse à Baixada Santista buscar uma das armas usadas no assassinato.
Dahesly foi presa pela polícia nesta quinta-feira (18) por suspeita de ser a mulher que foi pegar o fuzil na Baixada Santista. O armamento ainda não foi localizado.
Ruy, um dos pioneiros na investigação do PCC, foi morto com tiros de fuzis por ao menos seis criminosos encapuzados, na segunda-feira (15). Câmeras de segurança gravaram o crime.
Além de Miranda, a polícia também procura outros dois suspeitos identificados por envolvimento no crime. São eles: Felipe Avelino da Silva, conhecido como Masquerano, e Flávio Henrique Ferreira de Souza.
Para a Justiça há indícios de autoria e materialidade do crime contra os quatro suspeitos, além de risco à investigação caso os investigados permaneçam soltos.
A equipe de reportagem tenta localizar as defesas de Miranda, Silva e Souza para comentarem o assunto. A defesa de Dahesly informou que não iria se pronunciar neste momento.
Fotos dos procurados e da presa
Conheça as linhas de investigação do assassinato do ex-delegado geral Ruy Ferraz Fontes
O secretário da Segurança Pública de São Paulo (SSP), Guilherme Derrite, divulgou nesta quinta-feira (18) os nomes e as fotos dos suspeitos de participar do assassinato de Ruy.
Em entrevista à imprensa sobre o caso ao lado de outras autoridades policiais, ele disse não ter dúvidas de que há envolvimento do Primeiro Comando da Capital na execução de Ruy.
Isso é um fato. A motivação é que ainda está em aberto.
De acordo com o secretário "a dúvida - e a gente não descarta as possibilidades - é se a execução foi motivada por combate ao crime organizado durante toda a carreira do delegado ou por conta da atuação atual como secretario [da Administração] na Praia Grande".
O ex-delegado tinha 64 anos e foi um dos responsáveis pela prisão de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, uma das principais lideranças do PCC.
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Crime organizado
Ex-delegadon Ruy Ferraz Fontes, foi assassinado em Praia Grande (SP)
WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO e Reprodução
Ele ressaltou que "há participação no crime organizado". "Para nós, não resta dúvida por conta principalmente do Masquerano que é um indivíduo que nós sabemos que pertence à organização criminosa, PCC, por conta do trabalho de inteligência do Dipol [Departamento de Inteligência da Polícia] e centro de inteligência do ABC".
Segundo a polícia, Felipe é de São Bernardo e tem antecedentes por roubo e tráfico de drogas. Dahesly tinha passagens por tráfico. E Luiz já foi preso antes por porte ilegal de armas de fogo.
De acordo com a investigação, Dahesly disse que não sabia o que transportava, mas que recebeu um pagamento por Pix pelo serviço. Esse pagamento saiu da conta de uma criança de 10 anos, filho de Luiz, segundo o DHPP. Ela acabou reconhecendo por foto o homem como o responsável por contratá-la.
A identificação dos suspeitos pelo DHPP se baseou em informações de denúncias anônimas, analises de vídeos do crime e provas periciais.
O secretário explicou ainda que eles foram identificados por meio de material genético encontrado em um dos carros abandonados pelos criminosos após a execução, mas que a polícia ainda não se sabe qual a participação deles no assassinato. "Ainda é cedo para apontar qual o papel deles no crime", afirmou Derrite.
'Azul' também é investigado
Fernando Gonçalves Dos Santos, conhecido como Azul no PCC
Reprodução
Segundo o secretário, Fernando Gonçalves dos Santos, o "Azul" ou "Colorido", também é investigado pela polícia por suposto envolvimento na execução de Ruy. Ele é apontado como uma das lideranças do PCC e responsável por coordenar o tráfico na Baixada Santista.
Há cerca de um mês ele deixou a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Sua defesa não foi localizada pela reportagem.
O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Artur Dian, ressaltou que talvez "não necessariamente tenha participado" diretamente, mas a polícia "está apurando através das investigações se existe um vínculo".
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